Explorando a Côte d’Or – Fontenay

Vou confessar: sair daquela belezinha que é Beaune, tão aconchegante, uma gostosura pra bater perna e ficar de preguicinha foi duro! A dificuldade já começava em nosso hotelzinho BBB, o Belle Époque:

Hotelzinho aconchegante

Mas toda vez que eu dava uma olhada nos panfletos e principalmente no álbum de fotos, especialmente preparado para os turistas, na recepção do hotel,  eu babava!! Sim, já havia lido sobre a região no Guia da Publifolha, além disso visitei os sites das cidades de Beaune e Besançon, o site da Borgonha, procurei fazer o dever de casa. Eram muitos os lugares que eu queria visitar, em pouco tempo. Após conversar – éramos dois casais – ficou decidido que visitaríamos a Abadia de Fontenay.

É possível chegar à Abadia de TGV ou TER , para isso você deve comprar o bilhete até a cidade de Montbard. O TGV faz o trecho a partir de Paris, leva cerca de uma hora, mas o preço é meio salgadinho, cerca de 40 euros, ou 80 se considerarmos ida e volta; note que estes preços são para a segunda classe. Estando hospedado em Beaune você vai de TER, trem super confortável, por meros 15 euros o trecho, levando pouco mais de uma hora. De Montbard você pega um táxi ou micro ônibus até a Abadia. Nós alugamos carro para explorar a Borgonha, achamos mais prático e econômico pois éramos dois casais e eu não  ando de bicicleta (vergonha!!!). Mas acho que deve ser agradabilíssimo conhecer a região utilizando trem e bicicleta, isto é, caso você vá no esquema mochilão, pois a estação de trem de Beaune não tem elevador…

Na recepção da Abadia

A Abadia de Fontenay foi fundada por São Bernardo em 1118 e é uma das mais antigas abadias cistercienses, fundada após a Abadia de Cister (Abbaye de Cîteaux, em francês), que foi o primeiro monastério da reforma cisterciense, fundado em 1098. Os cistercienses tinham como objetivo reformar a vida monástica através do retorno à Regra de São Bento (6º século) que priorizava as virtudes da pobreza e da vida eremítica. Toda a arquitetura da abadia, sua bela simplicidade, nos lembram esses ideais dos monges:

Belíssima arquitetura!

Austeridade e beleza na arquitetura de Fontenay

Antes de construir, os monges tiveram que fazer um grande trabalho de drenagem no terreno. Fontenay vem do latim Fontanetum, ou seja, terreno alagado, situado sobre fontes. E ficou esta beleza:

Abadia e jardins

Jardins

A Abadia floresceu entre o 12º e o 15º século, quando chegou a ter cerca de 200 monges, que administravam de forma autônoma e com excelência o mosteiro, que se destacava também por sua produção agrícola. O declínio começou a partir do século XVI, quando o monarca francês passou a ter autoridade para nomear os abades comendatários (a prática da comenda consistia em entregar a abadia a pessoas estranhas à ordem monástica, para que desfrutassem de suas rendas). Isto aconteceu porque o ducado da Borgonha, que chegou a ser um dos principais rivais da França, entrou em declínio a partir do final do século XV e foi controlado por governadores nomeados pelo rei francês.

No interior da Igreja ouve-se o canto gregoriano (gravação, é claro)

Beleza na simplicidade das esculturas da igreja

Escultura de Nossa Senhora de Fontenay.

Na época da Revolução Francesa, a Abadia experimentava o seu pior período, nessa época não havia mais do que uma dúzia de monges ali. Então o estado francês a vendeu. Mas essa é a parte mais chata, então vou passar bem rápido por ela. Após a venda a abadia foi convertida em fábrica de papel, e assim continuou até 1906, quando foi comprada por Édouard Aynard, banqueiro de Lyons e colecionador de arte. Graças à sua visão e amor à arte foi feita uma imensa reforma, um grande trabalho de restauração, que reverteu todas as alterações que haviam sido feitas para o funcionamento da fábrica.

A Abadia de Fontenay continua sendo propriedade da família Aynard, e desde 1981 é Patrimônio da Humanidade da UNESCO. Final feliz!

Depois de nos esbaldarmos naquela beleza toda da Abadia, já era hora do almoço, e resolvemos procurar um lugarzinho na cidadezinha de Marmagne. Fica aí como dica, o lugar é super simples, mas a  cidade também é. O nome é Bistrot Le Marmagne, e nossa continha ficou em 40 euros, gorjeta incluída. Olha nossa refeição:

Estava muito bom!!

No próximo post, vou reunir todos os bistrôs e restaurantes em que nos deliciamos em Beaune.

Au revoir!

Beaune, Côte d’Or

Chateau de Pommard

Se vocês leram o post Roteiro Musical estão lembrados que eu planejava assistir ao Festival de Música de Besançon (Franche-Comté). Para visitar a região resolvi fazer base na adorável cidade de Beaune, Borgonha.

Não nos arrependemos. A vilinha é linda, charmosa, gastronomia excelente e barata. Dêem uma olhadinha:

Hotel-Dieu

Casario charmoso e muito verde

Show de luzes na fachada da Igreja

Os charmosos telhados em mosaico...

Viajamos desta vez com amigos queridos que ainda não conheciam a Europa, então resolvi adiar o roteiro musical que havia planejado. Mas mantive a Borgonha, pois já estava muito apaixonada pela região depois deste post e todos os comentários dos trips lá no Viaje na Viagem. Foram seis dias maravilhosos explorando a região e curtindo a cidade.

A Borgonha é uma província muito rica e interessante, pois oferece de tudo um pouco: lindas cidades medievais, castelos, abadias, catedrais,  vinícolas maravilhosas, paisagens de tirar o fôlego, gastronomia excelente, arte e museus – ufa! Desde o Brasil vimos que seria difícil escolher, dentre tantas opções, o que conhecer. E ainda queríamos ir a Besançon, capital do Franche-Comté, província vizinha.

Um único conselho: embora você consiga ir de trem até Beaune, nem pense nisso! A estação de Beaune não tem elevador, você tem que carregar as malas pela escadaria. Compre sua passagem de trem até Dijon pela SNCF, ainda no Brasil, para poder aproveitar os descontos, que são ótimos nas compras via internet e reserve seu carro para retirada em Dijon, há várias locadoras na estação do TGV. É, eu não fiz nada disso… foi, digamos assim, aventura demais pra o meu gosto.

Nos próximos posts, nossas impressões e dicas sobre essa linda região.

Au revoir!

Roteiro musical

Todo ano é a mesma coisa: quando começo a olhar a minha listinha de lugares “a conhecer” e tento decidir quais serão os escolhidos para aquele período, páro, penso, pesquiso, converso com o marido, leio diversos blogs e… empaco. Pobre sofre!!

Este ano coloquei na minha cabeça que meu roteiro partirá do meu desejo de assistir a algum festival de música clássica na Europa. Já vi muitos roteiros gastronômicos, os jovens fazem intercâmbios para aprender ou aperfeiçoar uma língua estrangeira, enfim, não deve sequer ser novidade esse tipo de roteiro que desejo planejar.

Problema: faço questão de fazer tudo sozinha, isto é, sem a ajuda de agências de viagem. Perguntei a amigos musicistas sobre festivais europeus de música clássica e conferi no nosso amigo google e parece-me que o mais viável, não somente pela excepcional localização mas pela época (meados de setembro a outubro, baixa estação), é o que acontece na cidade francesa de Besançon , na região de Franche-Comté.

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Neste mapa, que é o início do meu planejamento, há três cidades e duas não fazem parte do roteiro musical, Dijon e Beaune; mas afinal, já que estamos na região da Borgonha, por que não conhecê-las? Entre estas cidades existem várias vilazinhas medievais maravilhosas. Claro que eu já apelei para a “ajuda dos universitários” neste post do Viaje na Viagem.

E já que é um roteiro musical, por que não incluir Viena? Como a Áustria não faz fronteira com a França, não seria uma boa idéia escolher algumas cidades alemãs para visitar? Já vi que, desse jeito, 30 dias não serão suficientes. Bem, agora começa a pesquisa pra desenvolver o roteiro e torná-lo viável e prazeroso, com o melhor custo/benefício possível.

Alguém se oferece para me ajudar?

Que 2011 traga roteiros maravilhosos para todos!